Alfeu Tavares França, Augusto T. Abe, Denise De La Reza, Solange Oliveira Rodrigues Valle &
José Laerte Boechat
Serviço de Imunologia do Hosp. Univ. Clementino Fraga Filho - UFRJ
SPO, sexo feminino, branca, nascimento 13/09/70, solteira, natural RJ, fotógrafa.
Início em 1993 com cefaléia supra-orbitária, pulsátil, coriza hialina, espirros em salvas, eliminação de massa espessa de coloração acastanhada, sem prurido e/ou obstrução nasal. Relacionava com fatores específicos e, principalmente, inespecíficos. Não fazia uso de qualquer medicação.
Após 18 meses, procurou o Serviço de Otorrinolaringologia do HUCFF, onde foi diagnosticada sinusite e tratada com cefalosporina, sem melhora clínica. Posteriormente, a tomografia dos seios paranasais revelou velamento da fossa nasal, seio maxilar e células etmoidais à direita por material de natureza heterogênea e sinais de erosão da parede medial do seio maxilar direito. Afilamento e destruição dos septos etmoidais e discreto efeito de massa sobre o septo cartilaginoso nasal para a esquerda. Sinais de infiltração da parede póstero-lateral direita do cavum.


Tomografia computadorizada. Ocupação das cavidades paranasais à direita, insuflando-as com captação heterogênia de contraste. Expansão da lesão do seio maxilar para a caviadde nasal adjacente
Em novembro de 1995 foi submetida a sinusectomia maxilar, etmoidectomia posterior e esfenoidectomia, com retirada de material castanho-escuro. A histopatologia revelava infiltrado inflamatório mono e polimorfonuclear, áreas de necrose com restos celulares e corpos estranhos.


No Serviço de Imunologia foram realizados testes cutâneos com Dermatophagoides pteronissimus, Blomia tropicalis, Aspergillus fumigatus, glaucus e clavatus. Apenas os três últimos foram positivos. A cultura do material eliminado espontaneamente pelas fossas nasais mostrou crescimento de Aspergillus flavus.

O presente caso exemplifica uma sinusite alérgica com características invasivas locais causada pelo Aspergillus flavus.

Comentários: Infecções micóticas representam causas de inflamações crônicas dos seios paranasais, sendo o gênero Aspergillus o mais freqüente, causando diferentes formas: invasiva localizada, invasiva sistêmica, micetoma e alérgica. Esta última constitui um tipo bem definido de sinusite crônica que acomete preferencialmente adultos jovens e atópicos, com história de polipose nasal e asma. No presente caso o diagnóstico de Sinusite alérgica por Aspergillus flavus baseou-se no crescimento do fungo no meio de cultura, nos testes cutâneos de resposta imediata positivos com antígenos de Aspergillus e nas alterações radiográficas.
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