Caso 1 IGF, sexo feminino, branca, nascimento 07/02/46, solteira, natural de PE, do lar, prontuário nº 034841.6. Início aos dois anos de idade com tosse produtiva, dispnéia e sibilância desencadeadas por fatores específicos e inespecíficos revertendo com broncodilatadores. Posteriormente, as crises tornaram-se mais intensas, necessitando procurar serviço de emergência por diversas vezes. Aos 23 anos, em 1969, procurou o Setor de Imunologia da 1º Cadeira de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFRJ-Serviço do Professor Clementino Fraga Filho, com história clínica de asma brônquica. As radiografias simples do tórax mostravam infiltrados transitórios e imagens compatíveis com bronquiectasias. Foram feitas várias tentativas para a realização de broncografia, todas sem êxito devido à grande quantidade de secreção e ao broncoespasmo provocado pelo contraste. Os testes intradérmicos com diferentes antígenos inaláveis foram positivos ao final de 15 minutos, sendo que com o antígeno do Af apresentou dupla reação (imediata e semitardia). A pesquisa de precipitinas séricas contra antígenos do Af foi positiva, permitindo o diagnóstico de ABPA. Por ocasião de uma agudização, procurou um posto de saúde, sendo tratada para tuberculose pulmonar, apesar de não apresentar outros critérios da doença. Prosseguiu em acompanhamento ambulatorial no HUCFF, irregularmente, devido a condições psicossociais. Evoluiu para fibrose pulmonar, falecendo de insuficiência pulmonar em um hospital da periferia da cidade em 1995. Comentários: Foi o primeiro caso de ABPA diagnosticado no Brasil, tendo sido acompanhado por 26 anos. Na época, a enfermidade era pouco conhecida. Sua evolução mostra a história natural dessa doença quando não tratada precocemente, conforme está estabelecido atualmente.
Radiografia simples de torax: comprometimento bilateral. Consolidação alveolar com broncograma aéreo. Cavidades de paredes finas sugestivas de bronquiectasias. Infiltrado retículo-nodular. Caso 2
HS, sexo feminino, parda, nascimento 19/01/51, solteira, natural do RJ, professora, prontuário nº 117631.6.
Início aos 16 anos, com episódios de dispnéia e sibilância de leve intensidade, manifestando-se a intervalos variáveis, desencadeados por estímulos específicos e inespecíficos, que desapareciam espontaneamente ou com broncodilatadores. Ficava assintomática entre as crises. Após 10 anos, as crises tornaram-se mais freqüentes, de maior intensidade, de difícil controle, só revertendo com corticosteróides. Passou a apresentar tosse com expectoração mucopurulenta e, por vezes, febre, mesmo nas intercrises, sendo necessário antibioticoterapia com freqüência. Aos 32 anos, matriculou-se no HUCFF, onde após investigação clínica e laboratorial, foram feitos os diagnósticos de asma brônquica extrínseca e ABPA. Comentários: Paciente apresentando quadro clínico e laboratorial típico de ABPA- BC. Foi medicada com corticosteróides, esquema clássico, havendo melhora dos sintomas. Houve acompanhamento durante sete anos, não sendo observada nenhuma evidência de fibrose pulmonar neste período. ![]() Broncografia: bronquiectasias centrais cilíndricas Caso 3 MCS, sexo feminino, branca, nascimento 10/04/67, solteira, natural do RJ, do lar, prontuário nº 218108. Início aos seis anos com tosse produtiva, dispnéia e sibilância diárias exacerbando com fatores específicos e inespecíficos, revertendo parcial e temporariamente com broncodilatadores. Aos 14 anos iniciou imunoterapia, coincidindo com agravamento dos sintomas, necessitando uso freqüente de corticosteróides. Refere pneumonias aos 16, 20, e 22 anos. Aos 23 anos apresentou tosse intensa com expectoração clara e/ou amarela, dispnéia e sibilância permanentes, fazendo uso de esquema REI para tuberculose pulmonar, durante 11 meses, sem resultado. Nessa ocasião, matriculou-se no ambulatório de Imunologia Clínica do HUCFF. Ao exame clínico apresentava déficit pondero estatural e dedos em baqueta de tambor, cianose de extremidades (1+/4). Na investigação laboratorial, apresentou teste cutâneo positivo ( reação imediata e semitardia) apenas para os antígenos Aspergillus fumigatus, IgE sérica total elevada, sendo 10% específica para Aspergillus fumigatus, leucocitose e eosinofilia no sangue periférico, PPD 2 UT não reator, dosagem de eletrólitos no suor normal, radiografias de tórax mostrando condensações disseminadas com algumas áreas escavadas em ambos os pulmões. Comentários: A ABPA tem sido identificada nos pacientes com asma brônquica que apresentam sensibilização múltipla aos alérgenos ambientais, sendo freqüentemente confundida e tratada como outras doenças, principalmente tuberculose pulmonar. No presente caso, a sensibilização foi apenas ao Aspergillus fumigatus, possivelmente devido a bronquiectasias prévias que foram colonizadas. ![]() Tomografia computadorizada: comprometimento bilateral. Áreas de enfisema cicatricial. Espessamento peribrônquico. Bronquiectasias. Caso 4 MLS, sexo feminino, parda, nascimento 09/03/67, solteira, natural do RJ, do lar, prontuário nº 007107.8. Início na infância, com episódios caracterizados por dispnéia, tosse e sibilância que revertiam com broncodilatadores, ficando assintomática nos períodos intercríticos. Na adolescência houve agravamento do quadro clínico, sendo as crises de maior intensidade, necessitando usar corticosteróides de modo recorrente. Aos 14 anos, matriculou-se no HUCFF, onde foi firmado o diagnóstico de asma brônquica. Durante o acompanhamento, foram observados infiltrados pulmonares transitórios em localizações variáveis, porém com maior frequência nas regiões para-hilares, compatíveis com síndrome de Löeffler, o que, associado aos demais exames complementares, permitiu o diagnóstico de ABPA. Aos 18 anos, durante crise de asma, apresentou dor torácica súbita com suspeita clínica de pneumotórax. A radiografia do tórax mostrou pneumotórax à direita e bolhas subapicais bilaterais. Foi medicada com agonistas beta-adrenérgicos, xantinas, corticosteróides e submetida à drenagem cirúrgica. Obteve alta após 10 dias, com regressão do pneumotórax, permanecendo bolhas subapicais bilaterais. Comentários: A literatura médica consultada registra apenas dois casos de pneumotórax espontâneo como complicação da ABPA, cujos autores relacionam com doença bolhosa pulmonar previamente instalada. No presente caso, não havia complicação em radiografias anteriores. ![]() Voltar para Imunologia Voltar para Homepage do Medstudents |