Introdução

Histórico

Aspergillus fumigatus

Patogenia

Patologia

Diagnóstico

Casos Clínicos

Diagnóstico Diferencial

Alt. Radiol

Tratamento

Bibliografia

Aspergilose Broncopulmonar Alérgica

  • Patogenia

    Apesar de todo o avanço no conhecimento dos mecanismos imunitários que participam da patogenia da ABPA adquirido nos últimos anos, ainda existem dúvidas a serem esclarecidas.

    As primeiras idéias foram sugeridas por Pepys que, baseado nos testes cutâneos imediatos e semitardios positivos para os antígenos do Af aventou a possibilidade de que reações similares ocorressem nos pulmões.

    A ABPA pode ocorrer após a inalação de esporos do Af. Devido às suas características estruturais, eles se fixam em brônquios mais calibrosos e, por serem termofílicos, germinam produzindo vários tipos de antígenos que estimulam o sistema imune local e sistêmico, com formação de anticorpos específicos de todas as classes, principalmente E, G e A .

    As reações imunitárias ocorrem nas paredes brônquicas e parênquima pulmonar. Os anticorpos reagínicos (IgE), fixando-se em receptores de alta afinidade presentes na superfície de mastócitos e basófilos, levam à ativação destas células através de reações enzimáticas com degranulação e liberação de mediadores químicos pré e neoformados. Estas substâncias causam vasodilatação, abertura da microcirculação e aumento da permeabilidade vascular. Isto permite um maior afluxo de células como linfócitos, monócitos, eosinófilos e neutrófilos. Provocam também contração da musculatura lisa brônquica, aumentando a retenção de esporos, que irão germinar e produzir enzimas proteolíticas que lesam o epitélio, levando a uma adesão ainda maior dos esporos à laminina e fibrina (fibrinogênio) que estão presentes em maior quantidade no epitélio brônquico previamente inflamado.

    Além disto, a via clássica do sistema do complemento é ativada pelos complexos imunes formados pelas subclasses 1 e 3 da IgG com antígenos do Af. A via alternativa pode ser ativada tanto pela IgA 1 e 2 quanto pelas enzimas proteolíticas produzidas pelo fungo. Esta ativação gera produtos biologicamente ativos que, juntamente com as enzimas já mencionadas, aumentam ainda mais a injúria tecidual, proporcionando maior adsorção de antígenos.

    Apesar da existência de complexos imunes, é importante considerar que eles atuam localmente, não sendo a ABPA uma doença de complexos imunes circulantes.

    Os trabalhos de Patterson e Slavin com animais de experimentação confirmaram a participação das imunoglobulinas E e G como fundamental na patogenia desta enfermidade.

    As proteínas de choque térmico surgem como resposta imediata e transitória em diversas situações, tais como fagocitose e inflamação, e atuam como antígenos ou estimulando a apresentação dos mesmos. Em um estudo realizado por Burnie e Mathews com soro de 35 pacientes com ABPA foi observada a existência de IgG, IgA e IgE contra uma proteína de choque térmico do Af. Esta proteína é antigenicamente semelhante à proteína de choque térmico HSP90, encontrada na superfície de macrófagos de pacientes asmáticos. O papel patogênico desta similaridade ainda não foi estabelecido.

    A participação de reações imunitárias mediadas por células na ABPA não tem sido descrita, mas linfócitos de pacientes com esta condição, quando expostos a antígenos do Af, são capazes de transformação blástica.

    Na ABPA, as células T específicas para o Asp f1 são células CD4 + de subtipo TH2 que sintetizam e secretam, entre outras citocinas, a IL-4 e IL-5. Estas interleucinas aumentam a síntese e secreção de IgE pelos linfócitos B, estimulam a maturação e ativação dos eosinófilos e a expressão de VCAM-1 na superfície das células endoteliais. Alguns estudos demonstram maior freqüência de células TH2 nos pacientes com ABPA, o que sugere uma susceptibilidade genética. Entretanto, a especificidade HLA necessita de maiores esclarecimentos.

    É importante ressaltar que, diferente de outras formas de doença causadas pelo Af, a patogenia da ABPA não foi discutida neste capítulo como um processo infeccioso, e sim como resultado de uma doença inflamatória persistente desencadeada pela resposta imunitária do hospedeiro contra o fungo.


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