O manejo terapêutico da ABPA tem como objetivos o controle da asma, o tratamento das exacerbações e, conseqüentemente, a prevenção de lesão pulmonar irreversível. Como em outras doenças alérgicas, o afastamento do agente agressor, quando possível, é desejável. A prednisona é considerada a droga de escolha, promovendo a rápida resolução dos infiltrados, diminuição do broncoespasmo, da eosinofilia sérica e dos níveis de IgE sérica total. Por vezes, os infiltrados pulmonares cursam com poucos ou sem sintomas e estão freqüentemente associados a elevações de 100% dos valores basais da IgE sérica total. Quando não tratados, podem persistir por vários meses. A classificação em diferentes estágios da doença, pode ser útil no estabelecimento de planos terapêuticos. A monitorização mensal dos níveis séricos de IgE total, durante um ano, tem sido recomendada para o estagiamento, pois reflete a atividade da doença, sendo considerada um marcador da mesma. Para os estágios agudo e de exacerbação (I e III) é recomendado 0.5mg/Kg/dia de prednisona em dose única matinal durante 14 dias, passando a seguir para dias alternados por três meses. Em alguns casos, apesar do tratamento, ocorre piora do quadro radiográfico, sendo indicada a manutenção do tratamento e, por vezes, o aumento da dose para 50 a 60 mg/dia por 1 a 2 semanas, que só deverá ser reduzida quando houver diminuição dos infiltrados. No estágio de asma córtico-dependente (IV) mantém-se a prednisona na menor dose necessária para controle dos sintomas, de preferência em dias alternados. A eficácia da corticoterapia pode ser mensurada pela redução em pelo menos 35% dos níveis de IgE sérica total após dois meses de tratamento. A prednisona parece ter diferentes efeitos. A redução da quantidade de secreção brônquica e da presença de hifas na mesma tem sido observada. Altera ainda a distribuição dos eosinófilos nos pulmões e no sangue periférico, alivia os sintomas da asma, diminui a reatividade brônquica, revertendo as alterações do fluxo e volume pulmonares. Mesmo na presença de bronquiectasias a prednisona pode ser útil para controlar a asma, podendo ser de valor mesmo nos estágios finais de fibrose pulmonar (V). Nestes casos, os infiltrados pulmonares podem ser de origem bacteriana e outras medidas, tais como oxigenoterapia, drenagem postural, tapotagem e antibioticoterapia podem ser necessárias. Corticosteróides tópicos, cromoglicato dissódico e nedocromil podem ser administrados para controle da asma, sendo ineficazes para terapia específica. Agonistas beta-adrenérgicos e, em alguns casos, a teofilina, podem ser utilizados com a mesma finalidade. A imunoterapia específica está contra-indicada devido ao possível papel desempenhado pelos imunocomplexos na patogênese da doença. A indicação de procedimentos cirúrgicos eletivos em pacientes com bronquiectasias deve ser considerada com cautela, e o uso de prednisona por 7 dias antes da cirurgia e hidrocortisona durante a mesma é recomendado. Os agentes antifúngicos, como anfotericina-B, cetoconazol, natamicina. nistatina e clotrimazol têm sido testados, não demonstrando boa resposta. A associação de itraconazol à corticoterapia tem sido preconizada, pois em alguns casos parece diminuir a necessidade de corticosteróide. Entretanto, estas drogas talvez necessitem de melhor avaliação, antes de serem confirmadas ou não como eficazes. A profilaxia deve ser feita, orientando o paciente a evitar ambientes com altas concentrações de fungo, tais como locais com grandes quantidades de adubo químico, matéria em decomposição e grãos estocados. Voltar para Imunologia Voltar para Homepage do Medstudents |