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Análise Comparativa entre Recém-nascidos de Baixo PesoAutores: Anfremon D'Amazonas Monteiro Neto, MD & Gabriella Oliveira Fernandes, MD |
O problema do recém-nascido de baixo peso é de grande importância social, uma vez que reflete uma grande quantidade de problemas da comunidade, como o déficit nutricional, o hábito de fumar (CHEN, 1994) múltiplas gestações (CAIXETA, et al, 1989), baixa estatura, etc, assim como a possibilidade de um aumento no índice de mortalidade tanto no período perinatal como infantil. As soluções para este problema já começam a aparecer. Hoje já se sabe que o tratamento simples com leite materno é essencial para a recuperação destas crianças (SLAKOV, 1993). Alguns pesquisadores verificaram que a aplicação de vitamina K no período pré-natal aumenta sensivelmente o peso corporal dos bebês (DICKSON, et al, 1994).
Como já foi comentado não é possível afirmar que
o alto índice de recém-nascidos de baixo peso
esteja relacionado com uma causa isolada, visto que
ocorrem uma série de fatores ambientais,
sócio-econômicos e adquiridos que devem ser
considerados para cada comunidade a ser estudada.
Após revisão da literatura, nenhum trabalho sobre a
epidemiologia do baixo peso de nascimento no Amazonas
foi encontrado, não sabemos o quanto estes fatores
influem no peso dos recém-nascidos.
O objetivo deste trabalho foi calcular o índice de nascimentos com baixo peso na maternidade Balbina Mestrinho, tida como referência no estado do Amazonas.
Sendo este um estudo retrospectivo, utilizou-se o
Centro de Processamento de Dados da Maternidade
Balbina Mestrinho. O estudo envolveu todos os
nascimentos, no período de maio de 1995 até
Setembro de 1996, excluindo-se os natimortos.
Todos os recém-nascidos, masculinos ou femininos,
com o peso igual ou menor que 1.500g foram
considerados como de muito baixo peso (MBP); aqueles
nascidos com o peso entre 1.501 e 2.500g, baixo peso
(BP); entre 2.501 e 3.000g, peso insuficiente (PIN);
entre 3.001 e 4.500g normais (PN) ; aqueles com peso
superior a 4.500 foram considerados de peso excessivo
(PEX).
Sendo este um estudo de âmbito demográfico, não foi realizado nenhum tipo de acompanhamento pré ou pós-natal. Os dados foram representados na forma de gráficos de freqüência.
Na figura 1 nota-se, o percentual de recém-nascidos a termo, quanto a classificação adotada (ver Materiais e Métodos), que 1,4% (115) eram de muito baixo peso; 3,85% (306) de baixo peso; 29,91% (2375) de peso insuficiente; 64,34% (5109) de peso normal; e 0,44% (35) de peso excessivo.
Na figura 2, verifica-se a quantidade de recém-nascidos prematuros quanto a classificação adotada: 22,94% (198) nascimentos de muito baixo peso; 64,88% (560) de baixo peso; 9,96% (86) de peso insuficiente; 1,85% (16) de peso normal e 0,34% (03) de peso excessivo.
A Figura 3 mostra uma análise comparativa entre recém-nascidos a termo e pré-termo. Percebe-se que o número de prematuros supera consideravelmente o número de recém-nascidos a termo nas classes MBP e BP.
A predominância dos prematuros (64%) diante dos nascidos a termo (36%), em nascidos da classe MBP e BP pode ser observado na figura 4. Uma forte evidência da relação entre o tempo curto de gestação e o baixo peso ao nascer.

As figuras 1 e 2 ao serem comparadas, sugerem a relevância do tempo de gestação como variável fundamental para os nascimentos de baixo peso. Para nascimentos a termo a freqüência encontrada para PN foi alta (64,34%), para prematuros foi baixa (1,65%). A freqüência de Peso excessivo, foi tida como baixa em ambos os casos (0,44% e 0,34% respectivamente). Para os itens Muito Baixo Peso (MBP) e Baixo Peso (BP) encontrou-se maior freqüência para os prematuros(22,94% e 64,88% respectivamente, contrastando com 1,4% e 3,85 de recém-nascidos a termo), a fig. 3 sugere melhor essa comparação. Considerando que de todos os 1179 recém-nascidos de MBP e BP, 758 (64,3%) são prematuros (fig. 4), conclui-se que o tempo curto de gestação é um fator de risco para os nascimentos de Muito Baixo Peso e de Baixo Peso.
Aos nascidos PIN (peso insuficiente) não foi possível estabelecer uma relação com o curto tempo de gestação, uma vez que somam 29,91% dos nascidos a termo e apenas 9,96% de pré-termos (fig. 1, 2 e 3). Acredita-se que outras variáveis, tais como o estado nutricional das mães, idade e outros, estejam relacionadas com o grande número de nascidos PIN, ou então que a classificação utilizada não esteja de acordo com os padrões da população amazonense. Ressalta-se, portanto, a necessidade de um maior aprofundamento do trabalho para determinar a variável que exerce indepentente efeito sobre o peso insuficiente, e também aquela que favorece o nascimento prematuro, uma vez que este é um fator de risco comprovado para Muito Baixo Peso e Baixo Peso de nascimento.
Qualquer comentário ou sugestão enviar e-mail para Anfremon D'Amazonas & Gabriella Oliveira
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